quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Há quem goste de aventuras

Quando eu mais precisei de ti me vi sozinha. Foram dias afogada em travesseiros, chorando, te procurando. Varias ligações, centenas de mensagens, cheguei ao ápice do desespero. A dor que eu sentia no meu peito mais parecia com a dor de ter literalmente o coração arrancado, preferi acreditar que a culpa era toda sua, pedi a Deus pra que aquilo tudo acabasse, eu desejei morrer, mas não era por ti, o problema estava em mim, eu construí relações em cima de barrancos, eu tampei superficialmente o meu poço e achei que pudesse esquecê-lo mas não foi tão simples assim. Você teve sua parcela de culpa sim, mas muito pequena, foi apenas como encostar-se numa torre totalmente instável, eu era instável, eu SOU instável. Mas a proporção de tal culpa não diminui o fato, eu precisava de você, eu confiava em ti pra me ajudar a concertar, eu não conseguia confiar em mais ninguém, você era meu porto seguro e eu fui abandonada, deixada à ver navios. Só então percebi que eu não nasci pra ficar no fundo do poço, eu sou bem mais que isso, levantei, não sozinha. Recebi ajuda das pessoas das quais eu menos esperava, pessoas que eu nem se quer cogitei procurar, elas simplesmente estavam la, me ouvindo reclamar, me ouvindo chorar e me ajudando a parar. Eu consegui finalmente sorrir. Parei de ficar olhando apreensiva para o celular, parei de esperar que ele toque. Simplesmente parei. E quando você resolver me procurar, talvez eu te responda e até diga alguma frase de consolo, mas não vai ser muito além disso. Vou me manter bastante ocupada por aqui, limpando a minha bagunça, juntando meus pedacinhos. E talvez eu até consiga colar os pedacinhos que ficaram pelo caminho, não vai ser sozinha, eu não preciso estar só, eu tenho amigos. E sei que eles vão estar comigo quando eu me quebrar de novo, afinal eu sou essa montanha russa mesmo, cheia de altos e baixos, baixos que você não suportou, mas há quem goste de aventuras, tenho certeza que um dia vou encontrar alguém assim.
09/10/2015
Ao cara que nunca me mereceu.